A a guerra se espalhou para muito além das fronteiras européias chegando em colônias africanas e no Oriente.

A França e, principalmente, a Inglaterra eram impérios com colônias espalhadas pelo mundo inteiro. Caso eles perdessem suas colônias os prejuízos econômicos seriam catastróficos. Sabendo disso os alemães organizaram ataques a essas colônias na esperança que a tríplice Entente enviasse tropas e recursos para terras distantes, enfraquecendo assim suas defesas europeias. Isso sem contar que a Alemanha também desejava fundar o seu próprio Império colonial.

A primeira guerra mundial interferiu diretamente no desenvolvimento político e social de países orientais. Um desses casos foi o do Japão, uma potencia em crescimento fazendo alianças com a Inglaterra para atacar as colônias inimigas na Ásia. Dessa forma ele tomou para si na China a cidade de Tsingtao e todas as possessões alemãs ao norte do Equador.

Enquanto isso no Oriente Médio os alemães acreditavam que seu aliado, o Império Otomano, seria completamente submisso à sua vontade bem como os aliados achavam que conquistar tal região não apresentaria dificuldades. Ambos estavam enganados.

Os muçulmanos acreditavam que aquela guerra era sagrada, uma Jihad, e por isso raramente se rendiam e a população composta por muitos fanáticos religiosos faziam guerras de guerrilha o que aumentava os mortos no exército inglês que tentava tomar a região. Ao mesmo tempo a mesma crença religiosa tornava muitos muçulmanos reticentes às imposições que seus aliados ocidentais e cristãos, principalmente os alemães, impunham.

O fim da primeira guerra mundial levaria ao desmembramento do Império Otomano e a inúmeros conflitos por reivindicações de territórios que perduram até hoje, como, por exemplo, a questão de Israel (veremos melhor essas consequências no post VI).

A África se apresentava como um inimigo natural. Os soldados europeus, levados para o continente, sofriam devido as condições climáticas e a adaptação com a geografia, exótica para eles. Enquanto os soldados locais não se sentiam motivados para lutar uma guerra que não entendiam e que de certa forma não era deles.. Outro fator problemático é que, devido a política imperialista que estava sendo colocada em prática desde a metade do século XIX, na maioria das vezes os europeus ignoravam as questões étnicas e culturais das nações africanas e colocavam no mesmo exército povos de etnias inimigas gerando conflitos internos.

Da mesma forma que muitos europeus foram para as colônias lutar, muitos dos povos colonizados foram levados para a Europa. Henri Borbusse em seu já citado livro “Le Feu” descreve como era comum batalhões de homens negros de Marrocos e outros países africanos irem na linha de frente em combates, servindo literalmente como escudo humano para os europeus. Notemos como nessa época o pensamento europeu ainda estava tomado por ideias racistas e xenofobias.

Por fim vale citar o papel do Brasil nesse grande conflito. Inicialmente ele se manteve neutro, mas após um suposto ataque de um submarino alemão a uma embarcação brasileira o governo declarou rompimento diplomático com a Alemanha e todos os seus aliados e anunciou apoio à Tríplice Entente.

Devido a problemas internos e a falta de uma estrutura militar adequada para esse tipo de situação o Brasil teve uma participação bastante pequena na guerra, enviando somente alguns poucos aviões para a Inglaterra e um corpo médico-militar que foi integrado ao exército francês. A marinha brasileira teve uma participação um pouco maior com envio de esquadras navais patrulhar a costa noroeste da África.

Continua…..