Na madrugada do dia 5 de agosto de 1954 o Palácio do Catete no Rio de Janeiro acordou pavoroso ao som de um tiro. Oficiais da segurança, generais, políticos e parentes correram em direção ao quarto do presidente Vargas. O general Caiado, Tancredo Neves, Dancy Vargas, Alzira e Lutero seriam os primeiros a se deparar com a noticia que iria chocar e mudar os rumos da política Brasileira: Getúlio Vargas, herói para muitos e tirano para outros, acabara de se matar.

O que levara esse homem cometer um ato tão extremo como esse? Nunca saberemos a verdade precisa, entretanto podemos estudar os eventos históricos que impulsionaram esse trágico evento.

Vargas governara o Brasil por 15 anos praticamente como um ditador, entre 1930 1945. Depois de cinco anos afastado do poder foi eleito como Presidente do Brasil por mais cinco anos em 1951. Sua política foi bastante polêmica e decisões como um reajuste em 100% do salário mínimo, uma lei que autorizava o governo federal a intervir diretamente no domínio econômico, leis que coibiam, de forma indireta indireta, a liberdade de imprensa dentre outras acabaram por minar sua popularidade.

Porém o grande estopim que marcou o fim da era Vargas foi o chamado atentado da rua Tonelero, em Copacabana No Rio de Janeiro, onde um dos maiores adversários do presidente, o jornalista e político Carlos Lacerda (ver post sobre Carlos Lacerda aqui), sofrera uma tentativa de assassinato que tirara a vida do major da aeronáutica Rubens Vaz que estava a acompanhá-lo no momento.

Após uma investigação foi se dito que o responsável era ninguém menos do que Gregório Fortunato, guarda costas pessoal de Getúlio e chefe de sua segurança. Por mais que ele afirmasse que o presidente nada sabia sobre o atentado a maior parte da população e dos políticos não acreditaram e passaram a fazer uma campanha agressiva para que Vargas abdicasse. Este então promete que sairia do Catete somente morto e cumpre sua promessa com seu suicídio em 24 de agosto de 1954.

Se antes os adversários de Vargas eram tidos como heróis, a situação se inverteu. A população comovida entrou em um estado de furor contra aqueles que apareceram aos olhos do povo como responsáveis pela morte do presidente. Jornais que publicavam matérias contra a gestão de Vargas foram destruídos e muitos dos adversários políticos, inclusive Carlos Lacerda, se viram obrigados a fugir do país para assegurarem suas vidas. Verdadeiros movimentos de peregrinação eram feitos até onde Getúlio seria sepultado.

Tinha fim assim à chamada pelos historiadores: Era Vargas.